Encontro na Barragem do Rio São Bento reúne comunidade para lançamento de livro que resgata história
Propiciar um momento de reencontro e de agradecimento. Com esse objetivo, a Gerência de Meio Ambiente da CASAN promoveu na tarde de quinta-feira (3) o lançamento do livro e do DVD Memórias de São Pedro. O material é uma homenagem a 38 famílias que foram desapropriadas para dar lugar à Barragem do Rio São Bento, principal reservatório de água da Região Sul de Santa Catarina.
“De forma singela queremos agradecer o esforço de cada uma das famílias, pois a barragem só existe porque vocês permitiram”, destacou a gerente de Meio Ambiente da CASAN, Patrice Barzan, durante o encontro realizado no auditório da barragem para entrega de exemplares do livro e do DVD a cada família. Patrice agradeceu também aos organizadores do material, representados no evento por Micheli Ribeiro Luiz e José Carlos dos Santos Júnior, do Instituto Felinos do Aguai.

Momento resulta em foto que também se torna histórica
“O livro é uma oportunidade de manter viva a identidade dessa localidade. Sabemos que há também uma dor no coração, mas o que seria de nós se não fosse a barragem?”, lembrou o prefeito de Siderópolis, Hélio Roberto Cesa. O chefe do executivo da cidade em que foi construído um dos maiores empreendimentos da CASAN parabenizou a iniciativa de resgate histórico e aproveitou o momento para buscar novas parcerias, como o desenvolvimento de um programa de educação ambiental na barragem.
“É importante ver a comunidade reunida. Quando encontramos crianças e pessoas de idade em um mesmo evento é indicação de que estamos em um bom caminho”, complementou o prefeito de Nova Veneza, município vizinho à barragem. Também entregues aos prefeitos, o livro e o DVD serão distribuídos em escolas e bibliotecas da região.

Prefeitos entregam obras aos moradores homenageados. Imagens: Romancini Fotos
Prestígio dos mais antigos

Silvio Pires da Silva, de 94 anos, chega companhado de familiares e de outros homenageados
De boina e bengala, andar lento e sorriso, Silvio Pires da Silva, de 94 anos, chegou à barragem para o lançamento do livro Memórias de São Pedro. “Ele era o cacique da região da Serrinha”, conta o filho Delfo Pires da Silva, de 74 anos. “Era uma localidade muito isolada. A gente tinha uma professora que tinha até medo de vir para cá e as crianças ficavam muitos dias sem aula”, lembra Delfo, que colaborou com o levantamento realizado no período de fevereiro a julho de 2011, quando foram entrevistadas as pessoas de mais idade da região, algumas atingidas diretamente e outras indiretamente pela construção da barragem.
Os depoimentos foram gravados em áudio e vídeo. Também foram escaneadas imagens dos acervos das famílias e fotografados objetos considerados relevantes para a comunidade de São Pedro. As memórias remetem há pelo menos 80 anos e são também mescladas por lembranças ouvidas dos pais e avós, que viveram o início da colonização por imigrantes italianos.
Saiba Mais
Barragem do Rio São Bento
Localizada em Vila São Pedro, município de Siderópolis, no Sul do Estado, a barragem recebeu investimento de R$ 60 milhões, viabilizado por meio do Ministério da Integração Nacional, com contrapartida do Governo do Estado, através da CASAN.
A obra resolveu o crônico problema de abastecimento enfrentado pelas populações da região carbonífera, onde os recursos hídricos próximos aos centros urbanos estão comprometidos. Principal manancial de captação para o Sistema Integrado de Abastecimento de Criciúma, beneficia 730 mil habitantes das cidades de Criciúma, Siderópolis, Forquilhinha, Içara, Maracajá e Nova Veneza, com previsão de ampliar o serviço para Morro da Fumaça e Treviso.
Além de garantir o abastecimento de água para municípios da região carbonífera, o empreendimento tem como benefício indireto o controle de cheias. Desde que foi concluído, impediu o transbordamento do rio São Bento em ocasiões de chuvas intensas, evitando prejuízos para agricultores e para a população ribeirinha em geral. Também foi fundamental para conciliar um antigo conflito de interesses que colocava em campos opostos os agricultores que necessitavam de água para irrigar suas plantações e as populações urbanas das cidades vizinhas, que crescem continuamente e necessitam cada vez mais disponibilidade de água tratada.
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Gerência de Comunicação Social da CASAN